Início Aplicativos em papel 📜. Quilling: A história e o simbolismo da torção do papel - dos mosteiros às joias...

📜. Quilling: história e simbolismo da torção de papel - de mosteiros a obras-primas de joalheria

169
0

Quilling, ou torção de papel, é uma arte incrível na qual tiras longas e estreitas de papel são transformadas em rendas delicadas que podem rivalizar com joias. O próprio nome vem da palavra inglesa quill, uma pena de pássaro, que serviu como a primeira ferramenta para torcer o papel. Essa arte, cheia de ternura e trabalho meticuloso, percorreu um longo caminho desde a imitação de metais preciosos em igrejas pobres até o status de hobby global e alta arte decorativa. Vamos traçar essa fascinante evolução.

Raízes históricas: ouro para os pobres

As origens do quilling remontam a séculos atrás. Alguns pesquisadores sugerem que os rudimentos da técnica podem ter existido no antigo Egito, onde tiras finas de metal eram usadas para decoração. Entretanto, o verdadeiro nascimento do quilling de papel como arte ocorreu na Europa medieval no final do século XIV e início do século XV.

Os principais inventores da tecnologia foram freiras católicas na França e na Itália. Durante a Renascença, eles criaram medalhões delicados, molduras de ícones e capas de livros religiosos. Eles usavam tiras de papel com bordas douradas cortadas das capas de fólios antigos. Ao enfiar essas tiras na ponta de uma pena de ganso, eles criavam padrões abertos que, quando vistos de perto, davam a ilusão completa de filigrana de ouro. Nas igrejas pobres, essa imitação de joias era o único luxo disponível, e a técnica ficou poeticamente conhecida como ouro para os pobres.

Uma freira medieval trabalhando: criando as primeiras obras-primas de quilling usando papel dourado e penas de pássaros.
Uma freira medieval trabalhando: criando as primeiras obras-primas de quilling usando papel dourado e penas de pássaros.

A idade dos cavalheiros e damas nobres.

Nos séculos XVII-XVIII, o quilling ultrapassou as paredes dos mosteiros e se tornou um entretenimento social refinado. No entanto, devido ao alto custo do papel de qualidade e à necessidade de ter muito tempo livre, essa arte permaneceu reservada aos ricos e nobres.

Na Inglaterra, onde as primeiras fábricas de papel surgiram por volta de 1495, o quilling era particularmente difundido. Era praticado por senhoras que não estavam sobrecarregadas de trabalho, juntamente com o bordado e outros trabalhos femininos com agulha. Era considerado um passatempo inocente para preencher uma hora de lazer (The New Lady's Magazine, 1786).

Damas sofisticadas decoravam caixas de chá, cestas de trabalho, biombos, armários, porta-retratos e até mesmo peças de mobília com cachos de papel, para os quais eram feitos recessos especiais. Sabe-se que celebridades como a escritora Jane Austen (ela menciona o trabalho com filigrana em seu romance Sense and Sensibility) e as irmãs Brontë prestaram homenagem ao hobby. No final do século XVIII, a Princesa Elizabeth, filha do Rei George III, interessou-se seriamente pelo quilling, e alguns de seus trabalhos ainda estão no Victoria and Albert Museum, em Londres.

Um hobby aristocrático do século XIX: uma senhora da Regência criando um trabalho requintado de quilling.
Um hobby aristocrático do século XIX: uma senhora da Regência criando um trabalho requintado de quilling.

Variações regionais e revitalização

No século XIX, o quilling permaneceu predominantemente um passatempo feminino, mas no início do século XX sua popularidade havia diminuído. O interesse foi reavivado somente na segunda metade do século XX. Em 1875, o inglês William Bemrose tentou trazer a arte de volta à vida produzindo um conjunto de Mosaicons com instruções e, em 1927, uma das primeiras grandes exposições foi realizada em Londres.

Atualmente, existem duas escolas distintas de quilling, que foram formadas no final do século XX:

  1. Escola Europeia: Caracteriza-se pela brevidade e pelo minimalismo. Os trabalhos geralmente consistem em um pequeno número de peças e se assemelham a um mosaico, decorando cartões, molduras e embalagens de presente. Aqui é importante obter um resultado rápido e decorativo.
  2. Escola coreana (oriental): Esse é o verdadeiro virtuosismo. Os mestres orientais, que absorveram as tradições dos melhores gráficos, criam as obras mais complexas, semelhantes à arte da joalheria. A mais fina renda tridimensional é tecida a partir de centenas de pequenos detalhes, transformando-se em painéis e pinturas luxuosos.

Significado cultural e simbolismo

O quilling sempre teve uma profunda conotação cultural. Na Idade Média, era um símbolo de humildade religiosa e, ao mesmo tempo, uma tentativa de tocar a beleza divina por meio da imitação do ouro. Na era vitoriana, tornou-se um marcador de status social e de boa criação para as moças da alta sociedade, um símbolo de ociosidade e gosto refinado.

Atualmente, o quilling é um símbolo de harmonia e paciência. A técnica em si, que exige torção e padronagem meticulosas, é frequentemente usada em terapia artística para ajudar a acalmar a mente, desenvolver habilidades motoras finas e concentrar-se no belo. Essa arte nos ensina a ver o potencial nos materiais mais simples e a criar belezas complexas a partir do nada, de fato, de resíduos de papel.

Ao contrário do origami, em que a forma nasce da geometria da dobra, no quilling a forma nasce da curva de uma linha, do movimento em espiral sem fim, o que confere ao trabalho uma vivacidade e um organicismo especiais. Atualmente, o quilling está experimentando um novo florescimento: de cartões modestos a painéis de exposição e até mesmo joias, provando que a renda de papel não perde seu apelo na era digital.

Uma obra-prima do quilling coreano moderno: uma renda volumosa de centenas de cachos de papel, que lembra uma peça de joalheria.
Uma obra-prima do quilling coreano moderno: uma renda volumosa de centenas de cachos de papel, que lembra uma peça de joalheria.

Convidamos você a experimentar essa arte incrível e, quem sabe, criar sua própria obra-prima, dando continuidade à história secular da torção de papel!

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui