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🌏. O significado cultural do origami em diferentes países do mundo: de um símbolo de paz a um instrumento de terapia

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O origami, geralmente visto como uma arte estritamente japonesa, há muito tempo ultrapassou as fronteiras nacionais, tornando-se parte do código cultural de diferentes nações. Em cada país, ele encontrou seu próprio significado exclusivo, adaptando-se às tradições e necessidades locais. Essa jornada do quadrado plano ao redor do mundo é uma história de como a linguagem universal da dobradura fala em diferentes dialetos, preservando sua essência mais profunda: a transformação do simples em belo.

🇯🇵 Japão: onde o papel encontra sua alma

No Japão, o origami não é apenas um artesanato, mas um fenômeno cultural e espiritual enraizado nas crenças xintoístas, onde o papel (kami) é o elo com as divindades (kami). Aqui, cada dobra é repleta de simbolismo.

  • Crane Tsuru: Um importante símbolo cultural. Representa longevidade, boa sorte e lealdade. Diz a lenda que um grou vive por mil anos, e aquele que dobrar um senbazura (mil grous) encontrará a cura ou a realização de um desejo acalentado. A trágica história da sobrevivente de Hiroshima, Sadako Sasaki, transformou o grou de papel em um símbolo global de paz, esperança e lembrança, levando sua importância para muito além do Japão.
  • Noshi-ori e Tsutsumi: A tradição de decorar presentes com figuras de papel dobrado (meibo) ou de usar o origami como invólucro cerimonial para objetos preciosos enfatiza o respeito pelo presente e pelo destinatário.
  • Papel educacional e familiar: С Nos tempos antigos, o origami fazia parte da educação estética e intelectual. Dobrar com a avó ou nas aulas da escola transmite não apenas habilidade, mas também os valores de paciência, precisão e harmonia.
Uma guirlanda de guindastes de origami no Monumento a Sadako Sasaki em Hiroshima.
Uma guirlanda de guindastes de origami no Monumento a Sadako Sasaki em Hiroshima.

🇨🇳 China: O progenitor do papel e suas formas

Embora o papel tenha sido inventado na China (Cai Lun, 105 d.C.), a dobradura tradicional chinesa seguiu um caminho diferente. Aqui, ela estava intimamente associada a práticas funerárias e rituais. A queima de figuras de papel - símbolos de riqueza (dinheiro, casas, cavalos) - tinha o objetivo de garantir o bem-estar do falecido na vida após a morte.

  • Zihaji: A arte chinesa de dobrar, muitas vezes envolvendo corte e colagem, era mais utilitária. A criação de barcos, chapéus ou caixas decorativas não tinha a mesma conotação filosófica e simbólica que no Japão. O interesse dos chineses modernos pelo origami é, em muitos aspectos, uma reimportação das interpretações já japonesas e ocidentais, mas com um amor contínuo por composições complexas, muitas vezes modulares, que simbolizam a unidade e a abundância.

🇪🇺 Europa: da diversão no salão à abstração matemática

Para a Europa, os princípios básicos da dobradura provavelmente vieram pela Rota da Seda e pelos territórios árabes, onde a tradição geométrica se desenvolveu. Aqui, o origami continua sendo uma curiosidade e um passatempo social há muito tempo.

  • Pajarita em espanhol: Uma das tradições europeias mais antigas é a dobradura de um pássaro de papel (paharita), que, de acordo com algumas fontes, existia antes mesmo dos contatos ativos com o Japão. Isso indica um possível desenvolvimento paralelo e independente.
  • Pedagogia de Froebel: No século 19, o educador alemão Friedrich Froebel, fundador dos jardins de infância, incorporou a dobradura de papel em seu sistema educacional como uma ferramenta para desenvolver o pensamento espacial, as habilidades motoras e a compreensão da geometria. Isso estabeleceu a base para a percepção do origami na Europa Ocidental como uma atividade de desenvolvimento para crianças.
  • Uma visão científica: Os europeus, em especial mestres como o inglês John Smith, no século XX, começaram a ver o origami pelo prisma da matemática e da geometria abstrata, dando origem à direção do origami puro, sem simbolismo excessivo.

🇺🇸 EUA e o Ocidente moderno: terapia, ciência e cultura pop

O origami chegou aos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial e experimentou um boom, transformado pela cultura local de pragmatismo e inovação.

  • Arteterapia e reabilitação: Os especialistas americanos foram os primeiros a introduzir maciçamente o origami na terapia psicológica e física. O processo monótono e exigente de concentração da dobradura ajuda a reduzir a ansiedade, desenvolver funções cognitivas em idosos e restaurar as habilidades motoras finas após lesões. É a meditação em movimento.
  • Origami em STEM: Os EUA se tornaram líderes na integração do origami à ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Cientistas e engenheiros americanos, como Robert Lang, estão desenvolvendo painéis solares para satélites, stents para artérias e robótica dobrável com base nos princípios do origami. Aqui, o papel é o protótipo de tecnologias revolucionárias.
  • Cultura pop e democratização: O origami nos Estados Unidos se tornou o mais democrático possível. É um hobby para todos, um elemento decorativo, um tema para filmes de Hollywood (por exemplo, Blade Runner 2049). O origami modular e os objetos de arte do autor, em que a declaração estética, em vez do simbolismo, é importante, tornaram-se populares.
Uso do origami na arteterapia: a dobradura conjunta como método de reabilitação psicológica e desenvolvimento de habilidades motoras.
Uso do origami na arteterapia: a dobradura conjunta como método de reabilitação psicológica e desenvolvimento de habilidades motoras.

Valor global: ponte universal

Atualmente, o origami serve como uma ponte cultural. Ele reúne pessoas independentemente de idioma, idade ou formação em masterclasses, convenções internacionais e comunidades on-line.

  • Simbolismo geral: Algumas formas se tornaram internacionais: crane (guindaste) - paz, frog (sapo) - riqueza, aeroplane (avião) - sonho. 💝
  • Uma ferramenta para inclusão: Sua acessibilidade (é necessário apenas papel) o torna uma ferramenta poderosa para a criatividade e a educação inclusivas em todo o mundo.

Conclusão. O significado cultural do origami é como o próprio papel: ele pode assumir qualquer forma, misturando-se ao contexto local. No Japão, é uma conexão profunda com a tradição e o espírito; no Ocidente, é uma ferramenta para inovação e terapia. Mas, em sua essência, é sempre a mesma coisa: o milagre da transformação que está disponível para todos. Tendo viajado do ritual sagrado à tecnologia espacial e às práticas psicológicas, o origami provou que não é apenas a arte de dobrar papel. É a arte de dobrar os significados que cada nação coloca nele à sua própria maneira, criando uma imagem única e multifacetada do patrimônio cultural do mundo.

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